O que é?

Chamamos tártaro aos cálculos dentários acastanhados/esverdeados e duros que frequentemente vemos nos dentes dos nossos animais.

Ocorre quando as bactérias se juntam aos resíduos de comida, saliva e células que estão na placa dentária, dando origem ao que se chama de Placa Bacteriana. Se esta Placa Bacteriana não for removida, a doença progride para a formação do tártaro. Primeiro surge a inflamação das gengivas (gengivite) que por vezes estão encarnadas e sangrantes, e depois o ligamento periodontal vai sendo destruído, o que culmina na situação irreversível da perda de dentes.

A todos estes processos, damos o nome de Doença Periodontal, que tipicamente é dividida em 4 fases, sendo o grau IV o mais grave.

Doença Periodontal

A Doença Periodontal é muito frequente quer em cães, quer em gatos, sendo mais prevalente em animais mais velhos em cães de raças mais pequenas (como o Yorkshire) ou com bocas mais pequenas (como as raças braquicéfalas). Mas não só! Outros fatores que predispõem à formação de tártaro são:

  • a má oclusão dentária (os dentes não "encaixam" corretamente)
  • a persistência da dentição de leite
  • o apinhamento dentário (dentes "encavalitados")
  • a obesidade

Quais os sinais e como diagnosticar?

O sinal mais percetível da doença periodontal é o mau cheiro (halitose) e a alteração da coloração dos dentes, nos quais assentam estes cálculos.

Mas a doença periodontal também causa dor! Principalmente os gatos não toleram bem esta dor oral, e podem inclusivamente deixar de comer apesar de terem fome. Saiba mais em 10 Dicas para Gatos Geriátricos.

Os cães conseguem tolerar melhor esta situação, mas são frequentes situações de:

  • dificuldade na mastigação
  • preferência por alimentos mais moles
  • emagrecimento (porque não se conseguem alimentar corretamente)
  • falta de vontade para brincar ou passear

Nos casos mais graves podem desenvolver-se abcessos, fístulas oro-nasais, problemas oculares, e até infeções graves noutros órgãos, como o coração ou os pulmões, que podem colocar em perigo a vida dos animais.

O que fazer para prevenir?

  1.  Nos casos mais graves podem desenvolver-se abcessos, fístulas oro-nasais, problemas oculares, e até infeções graves noutros órgãos, como o coração ou os pulmões, que podem colocar em perigo a vida dos animais.
  2. Check up anual com o veterinário – nessas visitas examina-se a cavidade oral e determinam-se as medidas preventivas/corretivas a tomar.

  3. Evitar as comidas caseiras – é importante dar preferência a alimentos com uma consistência suficientemente dura para que tenham ação mecânica sobre a placa bacteriana. Existem ainda snacks comerciais ou brinquedos próprios para o efeito.

Como tratar?

Nos casos mais ligeiros recomenda-se realização de higienização oral, tal como a que fazemos no dentista, para remoção de detritos e tratamento da gengivite.

Nos casos em que a Doença Periodontal já está instalada é importante a realização de RX intra-orais como meio complementar diagnóstico e o tratamento passa pela destartarização. Ou seja, pela remoção cirúrgica da placa bacteriana através de ultra-sons. Nas últimas fases da doença (graus III e IV) é normalmente necessária extração dentária (exodontia).

Qualquer um destes procedimentos requer anestesia geral, o que hoje em dia não tem que ser um drama! As técnicas anestésicas são muito controladas e o benefício para o seu animal é enorme! Mesmo após extração de múltiplos dentes, voltam a ter o comportamento de quando eram jovens porque deixaram de ter dor.  

A saúde oral é fundamental para o bem-estar e saúde do seu animal! Agora que sabe “como” e “porquê” avalie regularmente os dentes e gengivas do seu patudo.