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Geriatria Veterinária: Abordagem Clínica em Animais Idosos

Geriatria Veterinária: Abordagem Clínica em Animais Idosos

Introdução

Atualmente os animais de companhia são muito estimados e cuidados pelos seus tutores. As medidas e profilaxia sanitária, a evolução da ciência na saúde e tratamento de doenças, assim como os cuidados na nutrição, têm aumentado a longevidade de cães e gatos.

No entanto, associado à idade, surgem uma variedade de doenças e alterações como aumento de peso, problemas articulares, doenças do fígado, rim e coração, tumores, alterações hormonais (como por exemplo a diabetes), senilidade e alterações sensoriais (paladar, tato e olfato, a surdez e a cegueira) são as mais comuns. A geriatria veterinária é a área da medicina veterinária dedicada ao estudo, prevenção e tratamento de doenças associadas ao envelhecimento em animais.

Definição de Paciente Geriátrico

O critério de atribuição da designação de animal sénior/geriátrico, varia de acordo com a espécie, raça e porte:

  • Cães de grande porte, mais de 22,7 kg ≥ 6–8 anos 
  • Cães de pequeno porte, menos de 22,7 kg ≥ 7–10 anos 
  • Gatos: ≥ 10–12 anos 

Alterações Fisiológicas do Envelhecimento

- Sistema cardíaco: redução da capacidade vascular com maior incidência de doença degenerativa nas válvulas;

- Sistema renal: diminuição da taxa de filtração do sangue com predisposição para doença renal crónica;

- Sistema músculo-esquelético: perda de massa e força da função muscular assim como osteoartrite;

- Sistema nervoso: Síndrome de disfunção cognitiva que se caracteriza por um aumento da vocalização, diminuição da interação com as pessoas, aumenta da irritabilidade, aumento da micção e defecação dentro de casa, atividades repetitivas, diminuição dos cuidados de higiene e alteração dos ciclos de sono;

- Sistema imunitário: maior suscetibilidade a infeções e tumores.

Principais Doenças em Animais Geriátricos

Patologias da cavidade oral

Acumulação de tártaro, úlceras e inflamação, perda de dentes e aparecimento de massas apresentam maior incidência em animais geriátricos.

Sintomas: dificuldade na preensão, mastigação e deglutição de alimentos, perda de peso e halitose.

 cavidade oral

Doença renal crónica

Patologia metabólica mais comum em gatos com mais de 7-8 anos, também presente em cães idosos, tem como causa conjunto de falha do rim e que acabam por reduzir a sua função.

Sintomas: aumento do consumo de água e de produção de urina, perda de peso, perda de apetite e vómito são os sintomas mais comuns. 

Doença cardíaca

A degeneração mixomatosa da válvula mitral é a doença mais comum em cães, afetando sobretudo raças pequenas e idosas.

Sintomas: tosse noturna ou em repouso, cansaço e relutância ao exercício, dificuldade respiratória e acumulação de líquido nos pulmões ou barriga.

Tumores

Os tumores mais comuns em animais geriátricos são os tumores de pele, tumores de mama (cadelas) e linfoma.

Sintomas: aparecimento de massas na pele/orais, perda de peso, perda de apetite, aumento do consumo de água e de produção de urina, desconforto, mau estar generalizado, sinais gastrointestinais, mudanças nos hábitos de defecar ou urinar, sangramento.

Doenças endócrinas

As doenças como hipertiroidismo e diabetes mellitus são mais comuns em gatos, o hipotiroidismo, hiperadrenocorticismo e diabetes são mais frequentes em cães.

Sintomas: aumento do consumo de água, aumento do consumo de alimento, perda de peso, perda de massa muscular, dermatite e perda de pêlo. 

Síndrome de disfunção cognitiva

É uma desordem neurodegenerativa relacionada com o envelhecimento, semelhante em termos neuroinflamatórios à doença de Alzheimer em humanos.  

Sintomas: alterações comportamentais como a desorientação, a troca do ciclo de sono, as interações sociais reduzidas e o isolamento.

Osteoartrite

Osteoartrite

É uma deterioração progressiva da cartilagem articular, os sintomas variam de acordo com a espécie:

  • Cães: dificuldade em se levantar, mancar, dificuldade em caminhar ou subir planos (carro);
  • Gatos: Redução de atividade, mais horas de repouso/sono, falha no local onde defeca e urina na caixa de areia, irritabilidade, redução do growming (lavar-se).

Abordagem Clínica do Paciente Geriátrico

É recomendável uma avaliação médica uma a duas vezes por ano que inclua uma história clínica detalhada, exame físico, avaliação de dor e avaliação comportamental. Aliado a isto, é recomendado realizar exames de diagnóstico, tais como análise de sangue e de urina, raio-X, ecografia abdominal e ecografia ao coração, são os mais comuns.

Maneio e cuidados especiais 

Nutrição

A sobrealimentação e sedentarismo contribuem para o excesso de peso, que se torna num risco para determinadas doenças, por exemplo cardíacas e endócrinas (diabetes). É agravada a dificuldade de mobilidade especialmente quando há envolvimento de osteoartrite. São recomendadas dietas específicas para idade sénior, com ajuste calórico e nutricional (ricas em ómegas) assim como suplementos alimentares (vitaminas, anti-oxidantes e/ou condroprotetores).

Controlo da dor

O uso de anti-inflamatórios está indicado, idealmente com análises prévias para garantir a sua segurança. Os suplementos, acupuntura e terapias integrativas são uma opção de utilização conjunta ou quando não é possível uma terapia com medicação.

Ambiente

O ambiente deve facilitar a mobilidade (rampas, superfícies antiderrapantes), com acessos simples e seguros ao alimento, água ou casa de banho. 

Com rotinas estáveis e estímulos cognitivos como jogos e brinquedos apelativos, ambiente calmo.

 

Cuidados Paliativos

A velhice não é sinónimo de doença!

Os veterinários são responsáveis por promover com os tutores um conjunto de medidas que assegurarem os cuidados de melhoria do bem-estar e qualidade de vida dos animais idosos. No fundo merecem ser acarinhados como retribuição do amor incondicional dado ao longo da vida.

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