O que é? 

A coluna vertebral é composta por vértebras que, na sua maioria, são separadas por discos intervertebrais. Estes discos têm como função proporcionar flexibilidade à coluna vertebral e protegê-la, em certo grau, de traumatismos. 

A hérnia discal é a deslocação parcial ou total de um disco intervertebral, levando à compressão da medula. As causas para esta patologia podem ser traumáticas (quedas, atropelamentos, entre outros) ou degenerativas (idade avançada, doenças congénitas). Existe uma classificação para esta doença: 

  • Hérnia discal de Hansen Tipo I: quando há um processo degenerativo do disco intervertebral, que leva a rutura do anel fibroso do mesmo, onde o núcleo pulposo, que está agora calcificado, vai para o interior do canal vertebral, ficando a comprimir a medula espinhal. É mais comum em raças condrodistróficas e a partir dos 3 anos, embora pode ocorrer em qualquer raça e em animais jovens; 
  • Hérnia discal de Hansen Tipo II: idêntico ao anterior, contudo o núcleo pulposo, que mineraliza com a idade, vai lentamente para o interior do canal vertebral comprimindo a medula espinhal e causando dor. Comum e típico de animais idosos, de qualquer raça; 
  • Hérnia discal de Hansen Tipo III: por traumatismo em animais saudáveis. 

Sendo uma doença comum em cães, não é exclusiva. Deve também estar atento ao seu felino. 

Sinais Clínicos 

Os sinais clínicos podem variar dependendo do disco intervertebral afetado e do nível de comprometimento do mesmo. Contudo as alterações mais comuns são:

  • Dor, que piora na palpação; 
  • Relutância ao movimento de forma geral, ou especificamente de uma área do corpo;
  • Desequilíbrio; 
  • Sensibilidade reduzida nos membros; 
  • Perda de massa muscular em situações crónicas; 
  • Incontinência urinária e/ou fecal; 
  • Paralisia. 
hérnia discal em cães

Diagnóstico 

A execução de um bom exame neurológico pode nos indicar onde se encontra a lesão, região cervical, torácica ou lombar. Contudo, apenas exames complementares de imagiologia é que confirmam o diagnóstico, e indicam com exatidão o espaço intervertebral afetado. 

A radiografia é um método amplamente utilizado devido a sua facilidade de uso, disponibilidade por praticamente todas as clínicas e hospitais, e baixo custo. É suficiente para diagnosticar uma discopatia ou descartar a presença de outras alterações, mas não é possível confirmar a presença de uma hérnia discal. A mielografia é também um exame amplamente disponível, onde é usado um meio de contraste para localizar melhor a lesão. Este exame pode ser suficiente para um animal seguir para cirurgia, contudo existem alguns problemas técnicos que podem comprometer a qualidade do exame e o diagnóstico. 

A ressonância magnética (RM) ou tomografia computorizada (TAC) são os exames complementares de maior precisão dando uma imagem nítida e em três dimensões da lesão. Em alguns casos, o animal não pode seguir para cirurgia sem ser previamente submetido a uma destas técnicas. O diagnóstico feito com a RM ou TAC é sempre mais correto e permite uma melhor opção terapêutica, seja ela conservativa ou cirúrgica. O prognóstico é também mais conciso. Como ainda são de difícil acesso e dispendiosos, o seu uso não é rotineiro. 

Os exames laboratoriais são sempre requeridos para controlar o estado físico do animal, seja ou não necessário a sedação/anestesia muitas vezes necessárias nestes casos. 

Tratamento 

O objetivo final é recuperar a qualidade de vida do animal e em alguns casos a sua capacidade de andar. O tratamento para a hérnia discal pode ser médico/conservativo ou cirúrgico. A escolha vai depender da dor que o animal apresenta, se têm capacidade de andar ou não, e do tempo passado desde o início dos sinais clínicos. 

O tratamento médico baseia-se na administração de anti-inflamatórios, relaxantes musculares e analgésicos, contudo o grande foco do tratamento é a restrição de movimentos (repouso). Muitas vezes deve ser feita em jaula. Quanto mais quieto o animal está, melhor e mais rápida é a recuperação. Pode ser aplicado gelo no local da lesão e efetuada uma massagem para promover a circulação sanguínea. 

O tratamento cirúrgico serve para descomprimir a medula e retirar o material herniado e danificado. Existem várias técnicas possíveis que serão escolhidas consoante cada caso e experiência do cirurgião. O repouso póscirúrgico é também, nestes casos, de extrema importância. 

A acupuntura e fisioterapia são cruciais na recuperação de muitos animais e devem ser sempre consideradas. Apesar do repouso, a fisioterapia tem muitos benefícios, mas deve ser efetuada criteriosamente e por um profissional. 

Prognóstico 

O prognóstico em qualquer dos casos vai depender do estado do animal inicialmente, de quantas horas o animal se encontra com as alterações e do tratamento efetuado. Quanto mais rápido identificar os sinais clínicos e procurar ajuda, maior é a probabilidade de uma melhoria significativa.