O que é? 

O esófago é um órgão tubular que permite a passagem de alimento da cavidade oral para o estômago. Tem comprimentos e diâmetros variados consoante o tamanho do animal, sendo de igual diâmetro ao longo de todo o seu comprimento. Em animais saudáveis, o esófago encontra-se colapsado, exceto à passagem do bolo alimentar. O megaesófago é a dilatação do esófago, que provoca uma diminuição ou ausência de motilidade, predispondo ao acumular de alimento ou água dentro do órgão. 

As causas desta patologia podem ser diversas, entre elas, causas neuromusculares, infeciosas, gastrointestinais, endócrinas, neoplásicas, sendo que pode também ser congénito. Neste último caso, raças como Pastor Alemão, Dogue Alemão, Labrador Retriever, entre outras são mais predisponentes, sendo que em gatos os Siameses são acometidos mais frequentemente.

gato siames com megaesofago

Os sinais clínicos aparecem logo após o desmame. Em causas não congénitas, pode aparecer em qualquer idade. Não existe predileção por sexo, não é contagiosa, nem emergencial. É uma doença rara em gatos. 

Sinais Clínicos 

O sinal clínico mais comum é regurgitação. Esta consiste no refluxo de comida/água do esófago para o exterior, sem náuseas ou contrações violentas do músculo abdominal. Ocorre maioritariamente após ingestão. Outros sinais clínicos podem ser: 

  • Crescimento lento comparado a ninhada; 
  • Aparência de desnutrição apesar do apetite; 
  • Desidratação; 
  • Fraqueza; 
  • Tosse; 
  • Dispneia;
  • Corrimento nasal; 
  • Auscultação pulmonar alterada. 

Os sinais clínicos referentes a alterações pulmonares são devidos a pneumonia por aspiração. 

Diagnóstico 

O diagnóstico é confirmado através de radiografia de tórax com contraste. Contudo, outros exames deverão ser requeridos para descartar possíveis causas, outras patologias concomitantes e estabelecer o estado físico do animal. 

Tratamento 

O controlo ou tratamento da causa primária deverá ser o foco inicial, tratar a pneumonia por aspiração que possa estar presente, bem como alimentar convenientemente o animal e equilibrar alguma falha crítica. Não existe uma terapia cirurgia com eficácia comprovada para o megaesófago. Após a abordagem inicial, e em condições de causas congénitas, o tratamento consiste em medidas comportamentais: 

  • Educar o animal a comer em posição vertical e aguardar alguns minutos para que o alimento chegue ao estômago e não ocorra regurgitação – são usadas cadeiras específicas para o efeito - Bailey Chair; 
  • A quantidade de comida de cada refeição deve ser pequena, e várias vezes ao dia; • Deve ser encontrada a textura ideal de alimento que o animal aceite melhor; 

Prognóstico e Prevenção 

O prognóstico depende da causa subjacente e da presença, ou não, de pneumonia por aspiração. Em causas congénitas, o prognóstico é favorável pois vários animais apresentam melhoria na motilidade esofágica ao longo do tempo. Se conseguirmos educar o animal desde pequeno para uma alimentação em posição vertical, ajudamos em muito em diminuir as regurgitações, e consequentemente a possibilidade de pneumonia por aspiração. Mesmo em adultos, é possível fazer este treino. 

A prevenção passa por estar atento a alterações gastrointestinais, principalmente a regurgitação, e saber diferenciar do vômito, dando-lhe a devida atenção. Animais que sofrem desta patologia de forma congénita, não devem ser reproduzidos.